A declaração “무섭노” da integrante Woni, do grupo RESCENE, desencadeou um debate crescente sobre se se trata do dialeto de Gyeongsang ou se foi influenciada por expressões de ódio online. A controvérsia, iniciada por uma breve conversa em um conteúdo no YouTube, ultrapassou a discussão entre internautas e chegou a interpretações acadêmicas e a embates no meio político.
A cena em questão veio de um vídeo publicado recentemente no canal do YouTube de Woni. Ao visitar a casa da família de Minami, integrante japonesa do RESCENE, quando entrava em um quarto escuro, o PD no local disse “무섭노”, e ela respondeu: “무섭노. Até a iluminação assusta”.
Nascida em Geoje, na província de Gyeongsang do Sul, Woni costuma falar naturalmente no dialeto de Gyeongsang em seus conteúdos, o que lhe rendeu simpatia do público. No entanto, a polêmica cresceu depois que a PD Kim Hyun-ji, da MBC Gyeongnam, diretora do documentário Adulto Kim Jang-ha, levantou a questão. Em 1º de julho, Kim publicou em suas redes sociais um texto dizendo, em resumo, que ficou chateada ao ver “uma idol feminina e um PD trocando amigavelmente o ‘-no’”, apontando que aquele uso não estaria de acordo com a gramática do dialeto de Gyeongsang.
Quando fãs do RESCENE e alguns internautas rebateram dizendo que se tratava de “um dialeto comum de Gyeongnam”, Kim Hyun-ji publicou um novo texto para esclarecer sua posição. Ela afirmou que “não pretende rotular todos os usuários como participantes de uma comunidade específica”, mas disse sentir “preocupação com a disseminação natural, entre os jovens, do uso do ‘-no’ fora da norma”. Em seguida acrescentou que “quando se descobre que uma expressão tem raízes em discurso de ódio, a escolha de usá-la ou não é uma questão de postura”, sugerindo que falantes de Gyeongsang poderiam refletir sobre o tema.
Por outro lado, houve reações de que isso configura uma censura exagerada ao dialeto. Alguns internautas argumentaram que, por causa do uso distorcido da expressão em certas comunidades online, é injusto colocar sob suspeita o modo de falar natural de quem realmente é daquela região. Em especial pelo fato de Woni ser de Geoje, em Gyeongsang do Sul, houve quem considerasse exagerado interpretar sua fala imediatamente como discurso de ódio.
A polêmica atual vai além da simples interpretação de uma maneira de falar e se transformou em um caso de choque entre dialetos regionais, expressões de ódio online e sensibilidades linguísticas geracionais. Se a fala de Woni foi um discurso de ódio intencional ou apenas o uso natural do dialeto ainda divide opiniões.